Eu quero

"A bordo de sua vida me fiz passageiro eterno."

quarta-feira, 4 de maio de 2011

the most deep sadness translated in music...


Não Me Deixe Ir

Então, aqui estou eu, em direção ao fim
Sem mais jogos ou mentiras
De vez em quando, lágrimas caem devagar
O corpo, sem alma, dói

Ouço uma voz através do vento
Você se lembra dos planos que fizemos?
É fácil, então, me deixar ir embora
Mais uma vez?

Não me deixe ir, estou aqui para ficar
Aproveite o momento, viva dia após dia
Não me deixe ir, unidos permanecemos
E, pela manhã, a dor já terá ido embora
Não me deixe ir...
Voltei para ficar

Quando éramos tolos e nossos corações, jovens
Ainda havia uma lição a ser aprendida
Deveríamos deixar de sonhar por causa do orgulho?
É possível que o fim seja um novo começo?

Um sorriso pode mudar o dia
Mas palavras de misericórdia são todas em vão
Não vou te deixar agora, não deixe o sol se pôr
Em nossas almas...

Não me deixe ir, estou aqui para ficar
Aproveite o momento, viva dia após dia
Não me deixe ir, unidos permanecemos
E, pela manhã, a dor já terá ido embora
Não me deixe ir...
Voltei para ficar

terça-feira, 3 de maio de 2011

Os Erros de Mim mesmo

O que vem de onde ninguém imagina
E toma no susto nosso pensamento
Nos deixa no escuro, na surdina
Do não saber, do desentendimento

O que na clareira do que será
Nos tira o passo e o pisar
Mas não nos arranca o poder
De cem mil pegadas deixar

Na alma de quem seja
Que não se atreva a doer
Ele vem em flanco forte
No coração nos arrepender

De ter deixado-o entrar
E sem poder por muito ali morar
Lembrando-nos hoje e sempre
Que não é a mentira em mente

Nem é a mesma que esconde
Um sorriso de fraca força
Que nos olhos há por onde
Revelar tanta tristeza

Os erros de mim mesmo
Em tão humilde clareza
Uma alma tão sozinha
Que ninguém sabe de onde sai
Como uma pergunta em surda dor
E o coração, como vai?

domingo, 24 de abril de 2011

Até que tudo acabe


“Quando corações querem falar, ambos deveriam interagir. Mas quando apenas um fala, ele invariavelmente irá chorar.” A conversa de dois corações por eles mesmos:

O que as pessoas conseguem enxergar é muito mais do que pena, do que piedade. Alguma vez você conseguiu sentir a maior emoção que você sentiu na sua vida por alguém e só depois de horas de ridículo e de infantilidade conseguir dizer pra essa mesma pessoa o quão fundo era a dor no seu coração? Tenho certeza que poucos. O que escrevo agora, nunca foi e nunca será a razão, não será hoje a emoção, será simplesmente a existência de um ser que têm pares que também são impares pelo mundo. E que sentem o mesmo. O que sinto hoje não é simplesmente a dor. Pois a dor muitas vezes não deixa ninguém falar, ela se traduz sozinha pelos olhos calando a boca. Eu hoje senti isso e muito mais. A dor não veio sozinha. Veio acompanhada de uma “porrada” galopante de coisas que esse órgão pulsante nunca tinha sentindo em freqüência alguma. Que possui também um sentimento especial definido hoje, por uma palavra aceita hediondamente pela razão e maravilhosamente pela emoção como bonita. Na verdade não passa de uma quimera. Isso é o que eu tenho como AMOR.

Foi duro demais, depois de minutos que foram séculos na minha existência conseguir olhar para aquela pessoa e dizer, talvez muito mais do que isso. Traduzir-me em verdade e dor o que eu sentia. Consegue imaginar uma faca de gume inóspita de cautela, cauterizar um coração como a solda cauteriza o aço com sua brasa rápida e impiedosa? Então. Assim foram todas as palavras que se seguiram no discurso do “EU NÃO SOU”. Não é zombaria. Eu não sou se aplica em tudo, em tudo o que somos e o que não conseguimos ser. Esse último em especial hoje. Consegue também imaginar essas palavras desferidas por corações menos cuidadosos que o daquela pessoa? E consegue imaginar aquela pessoa, na sua simplicidade e nobreza admitir que não entende nada daquilo, até o momento que você diz com todas as letras?  É excruciante. Porém acho que o pior é ter a certeza de em casa tratar um “Pai” como um alheio coadjuvante de você. Em que momento e com qual razão você tratou um pai ou mãe como coadjuvante de você para não deixar transparecer toda “monstruosidade” (incompreensão) que você sentia? Eu jamais me imaginei fazendo isso. E fiz. Eles não merecem, mas eles precisam para eu poder passar mais uma vez despercebido por eles e pelo mundo de olhos sem causá-los dor nem decepção.

Assim entrei no do que deveria ser o lar, frutoso em amor e tolerância e sentir-me bem. Não. Não fora assim e jamais será nessas palavras, mesmo que recontadas no futuro sóbrio, ébrio de si e dos seus sentidos. Relação nenhuma, mesmo que inexistente em gestos físicos seria saudável com dois iguais tão diferentes. Como pode duas pessoas gostarem tanto um do outro e não gostarem da mesma coisa? São coisas que ele. O velho carrasco escarlate não aceita como explicação. E o que o agrava toda a dor é saber que você disputa a tudo isso, tão enfaticamente citado acima, com um irmão que você ama, mas que não tem a coragem que você teve de dizer à sua pessoa especial que também a ama. Nem Capitu, nem Bentinho entenderiam.

Eu só desejo paz a mim mesmo e sabedoria à ele para entender toda epopéia, que coração nenhum aceita tanta informação tão rápido. Aceita tanta amor sem dividir ou recusar. Coisas inconscientemente feitas por eles (ele e seu carrasco com maestria).

Muito mais lento que um cérebro, porém muito mais sincero que o mesmo, esse carrasco consegue exprimir em machadadas vorazes, o corte de sentimentos que razão nenhuma em sua plenitude consegue nos dizer. O EU TE AMO está além da compreensão de qualquer “ignorante”, que tente ser assim para passar despercebido por tudo e menos sofredor por nada. Perguntei-me a minha vida inteira o que fazer quando me deparasse com isso. Pois sei que eu O sentiria. E mesmo, depois de todos esses anos, não sei o que fazer, pensar ou dizer, a ele, ou, tão importante quanto, a mim mesmo para prosseguir vivendo. 

No meio de todo o discurso ouvir depois de tanto “eu não compartilho do que você está falando” um “EU NÃO POSSO RETIBUIR. EU NÃO CONSIGO RETIBUIR”. Não dói. Mata. Drama? Não. Drama é quando o amor existe e não se consegue vivê-lo. Isso, é saber que o amor existe e jamais conseguir exercê-lo. Pois vivê-lo eu sei e exercê-lo ninguém me ensinou.

Tantas coisas passam pela minha cabeça. O contar dele para os amigos: “Sinto hoje que alguém senti por mim algo que eu jamais vou sentir por alguém”. Dói. Maltrata. Ou lembrar de um terceiro amigo que nada tem haver com a história. “Não compartilho nada que apetece sob o meu teto, pois não quero apetecer nada que acontece sob o seu”. Dói? Não. Ensina. Há pessoas e pessoas. Esse último, não era uma pessoa, é aquela pessoa. A mesma de outrora. Porém mais nobre e enrugada pela experiência. O primeiro, pueril e gentil como vento, que vem refrescar nossa face e também dizer que depois disso vem uma tempestade.

O mais angustiante foi se afogar entre corpos. Belos e feios. Vivos e opacos, que me traziam prazer, mas nenhum amor. Tudo, absolutamente tudo para esquecer. Ou “-lo”. Aderir a tal enfermidade, também doença do coração e do corpo, por essas aventuras experimentadas e não ter conseguido nada mais do que isso. A doença. E a lógica? Nenhuma. E como Hades dissera em uma epopéia: “Uma quimera feita para acalmar o coração dos homens” enquanto as engrenagens necessárias se moviam e incomodavam. Não posso e não consigo ouvir o suspiro/silvo de ninguém. Nem dos irmãos. Alentos e cobras. Esses de sangue às vezes só querem sangue.

Meu importuno hóspede já está cansado de falar, porém, agora a razão recobrando-me, tomo ciência de tudo e na expectativa de tudo diminuir, tudo aumenta. Solidão.

O sono parece um convite a ser aceito, porém o mesmo me trará descanso no seu durar e revolta no seu findar. – Vai embora trago de vida. Me deixa como antes.  A espreita de mim mesmo. O lírico e Eu nunca precisamos de realidade para sermos felizes. Enquanto dissertávamos apenas sobre o que “PODERIA SER” não amargurávamos tanto. Hoje vivemos e dizemos o que passa aos que passam e só nos deixam dor, nenhum amor – A mesma dor, idêntica como no último parágrafo, sôfrega e sem distinção, vem, como num orfanato e me acalenta como um filho cheio de companhia na espera de um pouco de “ninguém”!

O que eu queria sentir é o tal que todos já sentiram e corresponderam-se no outro. Ele existe? E por querer sentir isso em alguém impossível demais toda a resposta que veio foi também “alguma coisa” demais.  Tentei deixar tanto de lado, mas pouco consegui. A tristeza. Foi ela a que mais pus pra fora de mim, pois sem ela, eu sei, sou mais leve e vivo. Já a felicidade raramente divido. Alguns me acusam imediatamente como egoísta. Mas sabemos o tanto que esta tal é cobiçada. Dividi-la em palavras pra quê? Para te roubaram provavelmente como plágio mal penalizado. Não. Guardo só para mim mesmo. A tristeza esta toda ai. Disposta em uma ordem de palavras que faça sentido para alguns, ou para ALGUM. E por tudo isso pagamos. Paguei por tentar ouvir o que precisava ouvindo o que não queria. Tudo é definido pela forma e se você não é ou não consegue ser, nada se forma. Filo de menos, Sofia demais! Tudo expressa um nada retumbante no meu ser. Um jamais, um nunca, tão dolorido, que sei que mesmo lá longe, nos anos vindouros, vai arder. Só preciso saber que acabou, e isso talvez eu não saiba, apenas sinta.

Tristeza alimentada é ouvir: “Agora eu sei do que você está falando”. Depois de jogar seu único músculo que não levanta nada físico, apenas emocional na lama por aqueles minutos, talvez uma hora, na frente dele (alguns “lisonjeiros” anos na minha existência) soube Eu que um FORA não é ser dispensado. É não ser aceito por ser quem você é. Não mais apenas como um igual, não mais. E agora?

Agora tudo tornasse um loop, onde toda vertente do seu gostar pela pessoa se torna um ódio de você por você mesmo, por ter dito, por ter consumado, aquilo que jamais vingará, nem por menos vingar-se precisar-se-á. Pois não matou alguém do seu gosto que por tanto você o odeie, matou apenas você dentro dele que você jamais o entremeie.

Ouvir, um “SEREI SEMPRE O MESMO” pra ele pode estar na cabeça dele me reconfortando, na minha desconcertando. Como saber que eu na minha baixeza de existir e inundar o seu mundo com o que tenho, está diante de alguém simplesmente nobre como aquele outrem que não divide as mazelas que estão sob seu teto por não querer reações idem? É tudo um círculo, a diferença é que ele aprendeu a dar voltas sempre únicas e eu sempre dando voltas seguindo-o. Até quando?

Três sábios me guiaram naquela noite, não para a solução, mas para uma parte da compreensão e paciência que precisarei.

Medo por muito tempo me imperou, e dele tirei algo. Algo indizível a mim mesmo, mas que ele naquela noite ouvira em mordaz “sucintês” embriagada: “AGORA VOCÊ SABE. EU ‘AQUILO’”. Depois de um tempo lendo do mestre aprendi:

“O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não.” Mahatma Gandhi.

Fui covarde? “AQUILO” é amor. Não, não fui covarde. Eu disse a palavra, agora com contexto.

Eu, tentara, na minha vez, fazê-Lo dar certo. Não conseguia, e ali constatei para o meu eterno arrependimento que não conseguiria em era alguma. Mas tinha certeza da força proporcionada por vivenciar aquilo pelo o que eu lutava, mas não vivera ainda, sempre de soslaio, de fianco. Até que ali, nas palavras de um segundo sábio atestei:

"Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada!" Sigmund Freud.

Não era mais forte? Não, nunca me importara, pois nunca havia sido então.

E no fim tinha muitos medos, como qualquer ser com sentimentos. E outros paradoxos que passaram a me construir daquele dia em diante. O Romancista alemão me esvaziara a esperança naquele dia para que talvez ela voltasse nova em outro. Deixou-me certo da minha tristeza dizendo-me naquele livrinho de cabeceira:

"Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira." Johann Goethe.

Eu era feliz? Me faltara muitas vidas então.

Depois de tanto, partir foi e seria independente do que havia sido e dito, a única coisa a ser feita. Parti. Sem dizer mais nada. Nos devaneios e solidão dos meus sonhos. Nas quatorze horas seguintes, para a companhia daqueles estranhos de quatro anos ao meu lado, que me deixavam sempre tão sozinho como nunca antes a solidão deixara ninguém. Ela, senhora de minhas horas, me ensinara naqueles mais de mil dias, que não importa o que façamos. Se fizermos sozinhos, não haverá significado, pois não houve testemunhos e alguém para mal ou bem dizer. Se fizermos, ao lado de vários, em incalculáveis aglomerados de gente o mesmo, também, da mesma forma, não haveria ninguém. Ela me ensinara: “Todos aqueles que fazem o mesmo no mesmo lugar, não fazem nada”. Deixara-me pela primeira vez sozinho na véspera ao seu reencontro no meu infindável 5º ano para aprender o essencial. Faça, seja lá o que for com uma pessoa ao menos e que seja, mas que você a ame e dela às vezes discorde. Nunca sozinho e nunca acompanhado em demasia. Para dar chance à diferença nascer e completar-vos. Pelo o menos até que tudo acabe.

Um coração naquele dia calou-se.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Recomeçar





Por um amigo, que tenho muita estima e amor na sua amizade! São palavras que não buscam enaltecer o ego ortográfico de ninguém, mas que simplesmente prometem à nós mesmos dias melhores, pelas nossas próprias mãos. Obrigado amigo

Recomeçar



Como um sonho possível, chegamos ao fim mais uma vez, onde podemos repensar se tudo realmente valeu a pena, se as conquistas foram completas, se as histórias tiveram um final feliz.
Acredito que no final sempre há uma sensação de vitória e um desejo profundo de recomeço, por essa razão o ano sempre termina e começa outra vez, num passo de um segundo, repare só, o relógio bate 23h59min59seg, e num segundo estamos num novo ano, com um espírito renovado e prontos para encarar mais um ano, 365 dias. Muito tempo para se recomeçar tentar corrigir os erros que cometemos, correr atrás de prejuízos, de tentar fazer tudo ser diferente.
O ano que passou fica no passado, serão apenas lembranças, boas ou ruins, fotos que posteriormente serão rasgadas ou até mesmo penduradas, pessoas que apenas passaram em nossas vidas ou se tornarão nossos amigos para toda a eternidade, projetos que deverão ser esquecidos ou botados em prática, filmes para se ver e nem lembrar e outros para sempre buscar inspiração... enfim, o que passou, passou, não se deve se preocupar, as oportunidades podem ter passado, mas pode ter certeza de que outras virão, a vida é assim, sempre esta dando voltas...
Tudo que acontece em um ano, é muito intenso, são momentos que devem fazer parte das nossas vidas, repare nas noticias de um jornal, o mundo está um caos, mortes e mais mortes, tragédias em cima de tragédias, catástrofes, seqüestros, um clima cada vez mais maluco... e as nossas vidas, será que realmente estão sendo vividas dignamente, estão sendo aproveitadas ao máximo? Devemos viver intensamente, como se cada dia fosse o último, parece piegas, mas é a verdade.
Cada dia que passa é único, e dele devemos aprender sempre, e isso é claro que fica mais fácil se tivermos com quem contar, com quem poder confiar, e nada melhor do que ter pessoas certas do nosso lado, mas devemos ter cuidado com as novas entram em nossa vida, algumas só entram pra te trazer algum prejuízo, te roubar algo, não físico é claro, mas de você mesmo, sua confiança, seu respeito, sua esperança, suas virtudes e te fazem se tornar algo que você não é, e por isso deixamos de existir e começamos a perder o foco, porém, isso também é importante que aconteça, pois assim veremos quem são as pessoas em que realmente podemos confiar e também experiências como essas nos fazem aprender.
Contudo, podemos apenas ter o ano que passou como um aprendizado, um ano repleto de experiências e vivencias guardar sempre os bons momentos na lembrança e ter sempre a esperança de dias melhores. Devemos celebrar o final do ano e o recomeço de um novo com muita festa, pois afinal é época de recomeçar.

Por Arthur Henrique''''

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Beatlemania!


Entender o porque do sucesso desta, que com certeza foi a maior banda que este planeta viu, assim como toda estrutura que paramenta os grandes espetáculos de Rock 'n' Roll hoje, e o porque da devoção interminável aos FabFour e aos que ainda continuam entre nós, que diga Sir Paul McCartney, se torna mais fácil nas linhas a seguir. Essa é a Beatlemania, que cravou no coração da América e na alma de todos o poder que a música tem!

Matéria em duas partes,
fonte: A Hard Day’s Night in América, de A. Rayl

O Desembarcar

É difícil acreditar, mas está se completando trinta e seis anos desde que os Beatles fizeram sua primeira excursão, costa a costa, pelos Estados Unidos. Em fevereiro de 1964 visitaram o país, participando do Ed Sullivan Show e se apresentando em dois teatros, com ingressos disputados a tapa. A imprensa declarava na época, com frases de efeito, que havia uma "invasão britânica" e concluía que os Beatles "conquistavam a América." Entre aquela chegada em fevereiro e a seguinte, em agosto, os Beatles não descansaram um minuto. Gravaram um disco e filmaram o longa-metragem "A Hard Day’s Night"; excursionaram pela Europa e Austrália e ainda acharam tempo para compor e iniciar as gravações de algumas músicas que acabariam no álbum "Beatles For Sale". No dia 18 de agosto, chegaram na costa da Califórnia com o cansaço estampados nos rostos.




Apesar de toda a confiança que o empresário Brian Epstein depositava na banda, havia nervosismo e incertezas em todos. Uma coisa é tocar em alguns poucos centros, como fizeram em Nova York e Washington D. C. em fevereiro, mas varrer o país como estavam por fazer, era outra história. Os Rolling Stones tentaram o feito em junho, em menor escala, e fracassaram terrivelmente. É bom lembrar que a esta altura dos acontecimentos, os Stones já eram dados como mais populares em Londres do que os Beatles. Na pergunta feita por George Harrison ao repórter do "Liverpool Echo", "A América tem de tudo, porque eles iriam nos querer?", pode-se perceber a incerteza na mente do grupo.



A proposta certamente era assustadora. Os quatro rapazes de Liverpool teriam que se apresentar em 26 casas, quase todas estádios ou arenas, fazendo 31 shows em 27 dias. Teriam direito a um total de sete dias de descanso, o que os obrigaria a tocar mais de uma vez por dia. Mas antes desta louca maratona musical iniciar, houve um show de negociações estrelado pelo grande artista invisível ao público, Brian Epstein. Foi o seu trabalho de conseguir que a Capitol passasse a dar uma maior atenção aos Beatles e divulgasse mais "I Want To Hold Your Hand", que detonou a onda que culminaria com a chegada dos Beatles no Ed Sullivan Show. Depois desta aventura americana realizada em fevereiro, os convites eram tantos que tomaram quase cinco meses de planejamento.



Se em 1964 o maior artista americano era possivelmente Bob Hope, que cobrava cerca de US$15,000 por show, a excursão dos Beatles exigia o mínimo de US$20,000, ou entre 40 a 80% da bilheteria. Nos Estados Unidos, naquele ano, a faixa etária de maior população beirava os 17 anos e os organizadores dos espetáculos sabiam que fariam dinheiro, não importasse as exigências. Difícil para alguns foi convencer os bancos a financiar o adiantamento necessário. Entre as ofertas, Epstein deu preferência às cidades onde haviam os maiores índices de vendagem de discos dos Beatles.



Uma de suas exigências na época causou espanto e irritação para muita gente. O valor teto de um ingresso teria que ser de US$5.50, assinalado em contrato. Brian objetivava garantir a presença da garotada e ao mesmo tempo não queria que uma excessiva exploração danificasse a boa imagem que o grupo conquistara. Era certo que os Beatles poderiam cobrar o dobro ou triplo deste valor nos ingressos melhores, mas Epstein, com o consentimento da banda, não permitiu. Na prática, muitas casas venderam ingressos a US$6.50, e na mão de cambistas no próprio dia dos shows havia ingressos sendo vendidos a US$15, US$25 e até US$35.



Outras exigências sem precedentes tratavam das medidas mínimas do palco em que eles iriam se apresentar, detalhes dos equipamentos que teriam que ser fornecidos e a garantia de um engenheiro de som de primeira linha para cada espetáculo. Também sob contrato, a garantia de no mínimo cem policiais uniformizados dentro do estádio ou arena durante o evento, para garantir a segurança de todos. Além disso, camarins exclusivos para os Beatles e demais artistas que se apresentariam antes deles, completos com quatro camas portáteis, espelho, geladeira de isopor, uma televisão portátil e várias toalhas limpas. Como explicaria Norman Weiss, braço direito na organização da excursão, diretamente abaixo de Epstein, "Sabíamos que uma vez dentro do local do evento, eles não poderiam se locomover livremente, tendo que se contentar em ficar presos dentro do camarim por várias horas. Todas as exigências vinham das necessidades e não de vaidade." Exclusivamente para os Beatles, haveriam duas limousines, com ar condicionado e chauffeur.



Foram contratadas, para abrirem os shows, as bandas The Righteous Brothers, Jackie Del Shannon, The Exciters e o Bill Black Combo, que abriria o set e depois serviria de banda de apoio para as demais atrações. Para viajar de um lado para o outro, foi utilizado pela primeira vez o expediente de um avião exclusivo. Foi alugado através da American Flyers, firma que mantinha contratos com o exército americano, um Lockheed Electra II com capacidade para noventa e dois passageiros, pela quantia de $75.000 dólares.



Foi também contratada uma firma exclusivamente para cuidar das acomodações de toda troupe nas diversas cidades que faziam parte da excursão. Se a segurança no local das apresentações estavam garantidas sob contrato, a segurança do aeroporto até o local do evento, e para os hotéis, era outro assunto a ser lidado com precaução e estudo. Foi então contratado Ed Leffler, homem que trabalhou para a inteligência do exército americano, para negociar e planejar a segurança com as diferentes polícias de cada cidade, em cada estado. Até o detalhe de ter ternos feitos exclusivamente para essa excursão, meia dúzia para cada Beatle, não foi esquecido.



As vendas de ingressos bateram todos os recordes na história do "music business". Para se ter uma idéia, depois de garantir que seria fisicamente impossível vender todos os ingressos do Hollywood Bowl em um dia, os ingressos se esgotaram em três horas. Nunca antes acontecera nada parecido com a Beatlemania. Quando a organização dentro do Hollywood Bowl tentara negociar um segundo show, já não havia mais datas e a oferta foi recusada.



Sobre esses Estados Unidos que os Beatles encontrariam; no dia 2 de julho de 1964 o presidente Lyndon Johnson assinaria o ato de direito civil que considerava ilegal a discriminação de trabalho baseado em cor, sexo ou religião. Por meio deste decreto, seria obrigatório o fim das divisões de locais exclusivamente para brancos ou negros. Não só em restaurantes e bares, mas em escolas como também nos transportes públicos. Levaria anos até que esta situação nova fosse realmente assimilada e, durante o verão daquele ano e o dos anos seguintes, haveria guerras estourando nos guetos, mantendo a questão racial longe de ser resolvida.



No dia 1º de Agosto, o filme "A Hard Day’s Night", estreava simultaneamente na Inglaterra e nos Estados Unidos. No dia 2 os jornais falavam de um destroyer americano sendo atacado por navios norte-vietnamitas. No dia 4, a retaliação americana vem com sessenta e quatros aviões realizando bombardeios no Vietnã do Norte e, no dia 7, o Congresso dava plenos poderes ao presidente para tomar ações militares em suporte aos aliados americanos no sul asiático. Dias depois começaram a vazar histórias de que foram os Estados Unidos que provocaram o ataque ao seu destroyer. Surgem acusações dizendo que o destroyer americano acompanhou navios sul-vietnamitas enquanto estes atacavam os navios norte-vietnamitas, a 10 milhas da costa do norte do Vietnã. Depois apareceriam dúvidas se o navio americano sequer fora atacado.



Estes eventos desencadearam desconfiança nas subsequentes informações oficiais dadas à nação pelo governo americano. Criou-se o clima propício para o início do maior movimento anti-guerra, politicamente orientado e executado pelo o que se passou a chamar inicialmente de "a geração jovem" e posteriormente de "hippies". Em Times Square, houve uma marcha de "jovens esquerdistas", conforme apregoado pela mídia, para demonstrar o descontentamento com a política externa empregada em relação ao Vietnã. No dia 16 de agosto, em San Francisco, Lowell Eggemeier, de 27 anos, em um ato de protesto, desafio e desobediência civil, entra no Palácio da Justiça e, de frente ao balcão de informações, encara o atendente e prontamente acende um "cigarro" de maconha, sendo preso em seguida. Seu ato serviu para mexer com a opinião do público jovem, e outros atos de desobediência cívica seriam a tônica da década. No dia 18 de agosto, os Beatles chegavam a San Francisco.



Os Beatles, com seus cabelos compridos, se tornaram, mesmo sem prever, um fator representativo entre os jovens. O cabelo comprido não é ainda uma moda mas é encarado como uma forma de protesto. Uma maneira de demonstrar descontentamento com o sistema imposto. Se em fevereiro tudo era uma "adorável jogada publicitária" para os olhos americanos, os adultos já estavam paranóicos e insatisfeitos com a ressonância carismática que os Beatles causavam a suas crianças. A igreja culpava o demônio e os direitistas culpavam os comunistas. Em suma, a América pegava fogo.



As rádios anunciavam desde o início da manhã, "Hoje é o Dia B", uma alusão ao Dia D e à invasão da Normandia, ponto da virada da Segunda Guerra Mundial. Aqui, o Dia B era de Beatles mesmo. Todas as estações entoavam músicas dos Fab Four e o aeroporto de Los Angeles foi repentinamente invadido por uma horda de jovens estimada em mil crianças, que faziam um barulho ensurdecedor após uma estação soltar no ar o local e horário de sua chegada. Depois de uma viagem de quinze horas no Boeing 707 da Pan Am, o quarteto teve uma hora para esticar as pernas, passar pela alfândega, conversar com os repórteres e estar de volta no avião rumo a San Francisco, onde estreariam no dia seguinte.



No San Francisco International Airport, uma aglomeração estimada em cinco mil pessoas fervia no calor e na histeria. Muitos chegaram com até vinte e oito horas de antecedência. A segurança do aeroporto, como também a polícia local, nunca vira nada parecido e todos estavam tensos com o medo de uma possível catástrofe. Haviam outras quatro mil pessoas aguardando em frente ao Hilton Hotel, onde eles iriam se hospedar. Quando a polícia conseguiu levar os quatro Beatles para dentro do hotel e eles já se encontravam seguros dentro do seus quartos, todos relaxaram. Anunciaram então para o povo que cercava o hotel que eles poderiam ir para suas casas pois os Beatles já estavam em seus quartos e não fariam nenhuma aparição pública. Pronto, o pandemônio se instalou, com a criançada não aceitando o fato de ter perdido a chance de ver seus ídolos. Muitos invadiram o hotel em direção aos elevadores.



Em Cow Palace, no dia seguinte, enquanto o Bill Black Combo e demais atrações tentavam se apresentar para um público em coro gritando "We want the Beatles" (Nós queremos os Beatles), os rapazes estavam backstage conversando com a imprensa. Foram apresentados a Joan Baez e, mais tarde, Shirley Temple e sua filha de sete anos, Lori. Bastou eles subirem ao palco para que tudo ficasse claro, tamanha a quantidade de flashes das câmeras fotográficas. Para cada rapaz presente, havia pelo menos dez meninas, em um público pagante total de 17.130 pessoas, a maioria jogando "jellybabys" - uma bala colorida equivalente à nossa jujuba, que certa vez na Inglaterra os Beatles caíram na asneira de dizer que gostavam. As balas batiam nos rapazes e doíam. Tocaram seu set e logo após eles descerem do palco, duas limousines pretas fugiam pela saída dos fundos. Muitas crianças seguiram atrás mas os Beatles estavam na verdade presos em seus camarins, só podendo sair uma hora depois, escondidos em uma ambulância.



O pandemônio continuou em todas as cidades em que passaram. Em Las Vegas tiveram a oportunidade de conhecer Liberace e Pat Boone. Realizaram duas apresentações, uma às quatro da tarde, outra às oito da noite. Antes do segundo show houve uma ameaça de bomba que exigiu uma vistoria completa antes de ser considerada sem fundamento, e o show realizou-se normalmente. Em Seattle, uma menina conseguiu escalar até o palco mas foi rapidamente impedida de chegar perto dos quatro e levada embora. Depois do show, muitas das meninas chegaram até o palco para catar pedaços de balas pisadas pelos Beatles e guardar como souvenir. A limousine partiu, porém desta vez o povo conseguiu pular na frente, obrigando o veículo a parar. Foi um desastre; o teto cedeu e as portas foram arrancadas. Se tivesse alguém dentro do carro, teria possivelmente morrido, mas novamente os Beatles estavam encurralados em seus camarins, aguardando as horas passarem para poder fugir dentro de uma ambulância. Em Vancouver, tiveram que interromper o show duas vezes para pedir calma ao público e várias meninas foram levadas para uma área externa para se recuperarem. Do lado de fora do estádio, milhares de pessoas sem ingressos davam trabalho. Uma menina de onze anos foi encontrada chorando no meio do pandemônio. Aparentemente ela havia fugido de casa para ver os Beatles, mas não tinha nem ingresso nem meios de voltar.



No dia 23 de agosto o Hollywood Bowl abriria suas portas para rock 'n' roll pela primeira vez. Às sete da manhã começavam as primeiras filas para entrar. Os portões acabaram sendo abertos às 17:20, porque o Bowl já estava cercado por milhares de pessoas. No backstage, são apresentados à atriz Lauren Bacall. O show correu normalmente e a saída dos Beatles foi a mais tranqüila até então. À noite, hospedados em uma mansão que pertencia ao ator inglês Reginald Owens, houve uma festa de comemoração onde todos que faziam parte da excursão foram convidados. Entre os que compareceram e pernoitaram estavam Peggy Lipton e Joan Baez. Foram convidados também, pela parte administrativa que cuidava de entretenimentos, as mais belas fãs dos Beatles acima de 21 anos em Los Angeles.



A Capitol solicitou uma gravação do show com a intenção de lançar um disco exclusivamente para o mercado americano. Depois, ao ouvir o material, o projeto foi abortado, pois a barulheira dos 18.700 pagantes registrados estava mais audível do que a música. Surgiriam versões piratas no mercado a partir de 1970, quando a primeira gravadora pirata, "Trade Mark of Quality", foi inaugurada. No Brasil, de alguma maneira misteriosa, Big Boy, o maior e mais importante DJ na nossa história, conseguiu lançar oficialmente o disco "And The Beatles Were Born", que incluía um lado com o show do Hollywood Bowl e, no outro lado, miscelâneas de artistas variados como o show do The Who no Rock And Roll Circus. A Capitol acabaria lançando em 1977 um disco chamado Hollywood Bowl mas que mesclaria as apresentações dos Beatles tanto em 1964 quanto em 1965.



No dia seguinte, o presidente da Capitol, Sr. Livingston, que com sua esposa, a atriz Nancy Olson, patrocinavam uma fundação em prol da assistência para crianças hemofílicas, solicitaram aos Beatles comparecer a um encontro de caridade. A idéia era que, por uma doação de apenas US$ 25, as crianças poderiam passar parte da tarde com os Beatles. Nenhum adulto teria acesso sem a presença de uma criança e os convidados foram escolhidos a dedo. Quando a polícia foi contactada para a segurança, entrou em pânico. Armou barricadas, cercou a casa onde o evento seria realizado e deixou um esquadrão de choque de sobreaviso, escondido entre os arbustos durante a duração da festa. Para levar os Beatles até o local, uma residência com um imenso jardim em uma região bucólica, nenhuma firma de transportes quis o serviço. Até mesmo a Brink’s recusou, temendo ter um de seus caminhões destruídos. Finalmente uma limousine fez o translado, sob garantias de que qualquer prejuízo em relação ao carro seria ressarcido. Estiveram presentes uma pequena elite da California, como Dean Martin e seus filhos; Lloyd Bridges e suas crianças, entre eles o hoje também ator Jeff Bridges; Princesa Jasmin Khan, a filha de Rita Hayworth; Gary Lewis, o filho de Jerry Lewis; Jack Palance e sua filha Holly, entre muitos outros. Os quatro Beatles conversaram por uma hora e foram embora para descansar. À noite, Paul, George, Ringo, Derek Taylor, Mal Evans, Neil Aspinal e Roy Gerber foram jantar e assistir um filme na casa de Burt Lancaster. John ficou em casa para terminar de compor uma canção.



Em Denver, Joan Baez, que tocaria lá na noite seguinte, chegou cedo para curtir a companhia dos rapazes, pernoitando novamente com o mesmo beatle. Em Cincinnati, eles foram apresentados a Elvis Presley pela primeira vez. Elvis se queixa que comprou um baixo novo e ficou com os dedos cheio de bolhas. Depois com a imprensa, as entrevistas eram tediosas, sempre com as mesmas perguntas, que nunca eram sobre o assunto que eles queriam conversar: música. P(ergunta): Qual é sua desculpa para ter cabelos compridos? Ringo: Deixamos ele crescer. John: Não precisamos de desculpa. Você é que precisa de uma desculpa. P(para Ringo): Porque você recebe mais cartas dos fãs do que os demais? Ringo: Eu não sei mas deduzo que seja porque eles escrevem mais para mim. P: O que aconteceria se os fãs conseguissem passar pelo cerco policial? Ringo: Morreria rindo. P: De onde surgiu a idéia do seu penteado? John: Já contamos tantas mentiras a respeito que esquecemos. Paul: Na verdade tivemos a idéia na Alemanha quando uma fotógrafa amiga usou o seu cabelo assim.



Durante as apresentações, o trabalho da polícia era basicamente salvar a vida das pessoas que tropeçavam. Sim, porque uma vez que os Beatles subiam ao palco, a reação imediata era o estouro da mulherada, todas em direção ao muro de proteção. Quem tropeçava, e sempre havia algumas tropeçando, corria risco de vida. Depois haviam as meninas que desmaiavam, ou do calor ou de emoção. Em Nova York, mal os quatro saíram da limousine para entrar no hotel, alguém roubou do pescoço de Ringo, sua medalha de São Cristóvão. Dentro do hotel, através de uma linha telefônica direta com a estação WABC, com o famoso DJ Cousin Brucie na outra linha, Ringo tristonho pedia que se devolvesse a medalha dada a ele por uma tia. Cousin Brucie sugeriu que a recompensa fosse um beijinho de agradecimento e com isso a notícia se espalhou como fogo em palha. Em menos de uma hora, a pequena Angie McGowan, apareceu com a medalha, para devolver. A estação a escondeu para manter o assunto no ar por mais algum tempo, prolongando o drama. Os rapazes se divertiam conversando com diversas estações de rádios, geralmente pedindo canções de outros artistas como Fats Domino, Little Richard e Chuck Berry.



O show seria realizado no Forest Hills Tennis Stadium e, para chegar lá, foram de helicóptero. Momentos antes, ao averiguar o estádio, Bob Bonis descobriu que fora armada uma tenda vazia para os Beatles, como camarim. "Isto não serve, deveríamos estar com o camarim dentro do clube", ele tentou negociar. "Não será possível, a administração teme que eles possam estragar o lugar. Além do mais, já está tarde, os Beatles já estão no helicóptero a caminho", responderam. Bonis imediatamente puxou alguma geringonça do bolso, esticou dela uma antena e falou "Isso não é problema, ou você libera um camarim mobiliado ou eu ligo agora mesmo e mando o helicóptero voltar." "Não, não, não, eu vou conversar com eles", foi a resposta. Bonis, disfarçando um sorriso, abaixou a antena e guardou de volta no bolso seu rádio AM portátil. Quando os Beatles aterrissaram, o camarim estava pronto e aguardando. Lá conheceram Benny Goodman. Este foi para muitos a melhor apresentação da banda de toda a excursão. O público máximo do recinto era de 17.000 lugares, todos tomados. A NYPD destacou 200 homens no local e nenhum incidente maior foi registrado.



De volta no hotel, Derek Taylor segurava jornalistas e algumas celebridades, como o trio Peter, Paul and Mary, enquanto os rapazes jantavam. Bob Dylan e Al Aronowitz, que voltava de sua residência em Woodstock, foram levados direto para a suíte dos rapazes. Lá, com os quatro Beatles estavam apenas os mais íntimos, Brian Epstein, Mal Evans e Neil Aspinal, todos de Liverpool. Feitas as apresentações, em meio às conversas iniciais os rapazes ofereceram suas pílulas, uma cortesia entre músicos que geralmente necessitam de anfetaminas para agüentar o pique exigido pela carreira. Dylan declinou e ofereceu em troca maconha para relaxarem.



É largamente divulgado hoje em dia que Bob Dylan apresentou maconha para os Beatles, mas isto é só parcialmente verdade. Os Beatles fumaram maconha certa vez em Hamburgo, lugar onde eles conheceram, pela primeira vez, muitas coisas. Mas não curtiram muito pois ficaram apenas rindo à toa, não levando a nada. Brian foi o primeiro a se pronunciar, "Os Beatles nunca fumaram maconha". Dylan, confuso, perguntou sobre a canção em que a letra diz "And when I touch you, I get high, I get high" (E quando eu lhe toco, fico alto, fico alto). "Mas a letra não é essa", retrucou Lennon. "A frase é ‘I can't hide’" (Não consigo esconder). Enganos a parte, Dylan ofereceu acender um, se o pessoal estivesse interessado. Pediu que as portas fossem trancadas, as luzes apagadas, enquanto incensos e velas foram acesos. Foi explicado como inalar a fumaça e, durante o decorrer da noite, Dylan fez desenhos com a brasa do incenso e os papos fluíram soltos. Se em Hamburgo a experiência não teve graça, desta vez eles realmente relaxaram e se divertiram. Maconha passou a fazer parte dos acessórios de recreação da banda.

Continua...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Àqueles que tanto amo



Amar é viver desaprendendo. Cada passo tenho a certeza, carregou algum coração pensativo, deixando na areia uma pegada sem valor, leve e mal construída. Facilmente devorada pelo o vento, mas que foi o suficiente para me mostrar o caminho. Arquitetada sem grandes planos ou cálculos, ela chegou assim, ligeira, rasteira. Da mesma forma que foi lançada,como um raio, iluminou a grande escuridão e fulminou seja quem for que se levantou como um obstáculo contra ela. Sagaz e ardil, assim embebeu os corações no ardiloso esquema escarlate da face que se tornaria rubra diante ao outrem que idem essas idéias faz seu músculo encarcerado no peito bater no mesmo compasso. Orquestrado e metralhado pela sua batuta, o bandido vermelho deita-se no leito de luxúria e pede apenas silêncio, para que possa ouvi-lo terminar ao entrar e bater sem ritmo do outro coração. Consumiu páginas e folhas secas, no chão e nos livros. Devastou gênios e perpendiculou certezas nas hastes da história. Começou, viveu e aniquilou juventudes na glória de suas manhãs. Terminou poemas com palavras sem respaldo, singulares. Sem platéia, arrancava aplausos da solidão. Devorou as migalhas do caminho na esperança do outro, deixar perdido no vazio sem saídas. Um vagar eloqüente permeou na pele dos ariscos enamorados, surgiram pelos eriçados, olhares condescendentes, lábios mordiscados e almas desnorteadas, que tão logo se perguntavam o que faziam ali, em tão pouco espaço de um só corpo, quando dois tão próximos ofereciam um aconchegante lar, para duas almas deitar e ascender qualquer centelha antes esquecida, qualquer morada antes inóspita. Maças mordidas ilustram apenas uma faceta do seu andarilhar pelo mundo. Mais do que símbolos, objetos, imagens, deixou o gosto do mordaz centelhar da palpitação no peito e península da sua língua, engolindo seco, toda vez ao encaracolar dos cabelos em dedos tímidos bebeu o prazer, não servido em taça de prata ou cristal, mas no cálice da sua boca, recipiente da sua alma. Deitou-se nos trilhos, selvagem, e deixou o exalo de seu cheiro impregnar as outras criaturas com ele, que avassalador, não poupou nem as pedras, que nos poemas te cantam em torres e castelos. Sem armaduras, nem princesas, apenas dois corpos dispostos ao seu adornar de desejos, se enfeitavam e enroscavam na vereda da timidez, colorir das maças na face porcelanada, trazia apenas a verdade carregada nos olhos espelhados um nos outros. E o dizer de tal acontecimento, longe de ser ação, pois não sabia-se sobre seu começo ou fim. Rompeu em tambores nos ouvidos, não tão distante se identificava a fonte do seu rufar, era o coração. Lânguido de si, debatia-se na espera do outro, fazendo o peito doer e o olho afogar-se na salina expressão humana que cobriu a face da humanidade tantas vezes diante a sua chegada. Ao encarar um ao outro, só diziam. “Venha amor, e encha essas nuvens de céu, pois elas cobrem seu sorriso e vadiam minha paisagem de você durante os dias. Venha amor, e esvazie esse infinito de si mesmo, pois de tão grande cansou de si e de te perder junto às estrelas mais brilhantes dentro do seu eu. Venha a nós amor e habita nossas veias e carnes, à surdina dos nossos ossos, sustenta-nos com seu calor e nos esclareça todas as verdades engasgadas na espreita da sua ausência. Ensina-nos que as aves só voem porque um dia te perderam nas alturas e lá precisam procurar-te. Mostra-nos que o mar é tão vasto só porque a distância precisava existir para te exaltar. Engana-nos com o verão na lembrança e saudade incomensurável do frio hostil do inverno e de como nos lecionou sobre a importância do calor de dois corpos. Dispa-nos das nossas sabedorias e recorda-nos que a maior inteligência não é saber onde você está e sim se você está! Porém alçado além de todos, ama-nos como só você, essência de si mesmo, pode com tua chama aquecer sem queimar, lembrar sem esquecer e ver sem olhar, que se tu existes é porque nasceu de dois e da existência simultânea destes em algum lugar, algum momento, alguma nobreza. E da sua chegada veio o alvorecer, a felicidade e a razão. Que sem razão, a não ser seu existir, excita minha alma, minha vida com o lembrar da sua estadia junto aos meus dias.” Assim ventava o amor nas noites mais cegas e quentes ao aplaudir dos nossos corações. Alegre e nu, abraçou-nos e nos uniu na sua viciante eternidade!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Respirando o sossego..



As palavras não mais podem ser perdidas. Pois quantas noites esperei para falar com aquele amigo ou quantos dias não contei até aquela festa chegar. Paz e guerra num mesmo jogo. Não há ganhadores. Mais palavras desperdiçadas. Não há ninguém em casa. Esse jogo cansativo é uma terrível tragédia. Procure um choro cheio de vergonha. Ninguém consegue parar de jogar, assim como a chuva não consegue parar de cair. E a gravidade nos segura para não secarmos essas lágrimas. A razão é apenas destino. Sentado esperando você acreditar nas minhas superstições. Você fala rápido demais e é a apenas a minha primeira vez. Quem é o tolo? Estou no chão, espere um minuto, respire um minuto. Ele sabe o que fizemos e as horas que contamos até aqui. Quem consegue ver essa chuva do outro lado? Vou te mostrar. É apenas chuva e você não precisa ir lá fora. É apenas chuva, molhando nossos ossos e afogando nossas almas. O telefone toca tão tarde e é tão fácil não atendê-lo. Apenas não preste atenção e podemos acordar bem tarde. Eu sempre disse, ela é uma boa garota. Não há segredos para você nas ruas. Nada te afeta. O vento é seu amigo. Apenas a milhas daqui, está àquela sombra e esse dia terminará sem que eu possa ver.